Lasar Segall e sua arte impressionista, expressionista e modernista

Lasar Segall foi um artista estrangeiro que se tornou uma das maiores referências do modernismo brasileiro e na representação do povo na arte. Além disso, ele era capaz de misturar diversos estilos de pintura em sua estética e é mundialmente reconhecido por isso. São dele quadros como Menino com Lagartixas (1924) e Colina Vermelha (1926).

Se quiser saber mais sobre Lasar Segall, sua história, influências e impacto na arte, continue lendo esse texto.

Quem foi Lasar Segall?

Um artista multi facetado, Lasar Segall foi majoritariamente pintor, escultor e desenhista, mas também atuou como figurinista, ilustrador e cenógrafo. Ele nasceu na capital da Lituânia em 21 de julho de 1889 e viveu 66 anos até falecer na sua residência, em São Paulo. Descendente de judeus, seu pai costumava ser um escriba do torá, livro sagrado da tradição judaica.

Enquanto vivia com sua família em Vilna, teve uma vida bastante difícil por conta de sua descendência. Nessa época, a região onde viviam pertencia ao Império Russo que aplicava leis muito severas a esse povo.

Eles eram impedidos de possuírem terras e só seriam permitidos de praticar poucas atividades urbanas. Além disso, eram alvo de violência e discriminação gratuita contra suas pessoas e propriedades, ou seja, não tinham direito à cidadania plena.

Esse cenário influenciou diretamente as temáticas abordadas nas obras desse artista que, futuramente, os abordaria nas suas telas.

Lasar Segall pintou sobre as discriminações, violência e perseguições que sofreu junto a sua família em peças bastante dramáticas. No entanto, tratou também do imaginário de seu povo, celebrando as tradições e a religiosidade.

Lasar Segall

Sua formação

Após ter estudado desde muito jovem numa escola de desenho na região onde morava, Segall decide migrar para a Alemanha e frequentar a Escola de Artes Aplicadas e, depois, a Academia Imperial de Belas Artes no ano de 1906. Nessas instituições, ele pôde aprender sobre as técnicas de arte mais preocupadas com a perfeição das obras, exigentes em relação a uma estética tradicional.

No entanto, bastante insatisfeito com as concepções consideradas retrógradas de onde estudava, ele decidiu se mudar novamente. Portanto, em 1910, vai para a cidade de Dresden e passa a frequentar a Academia de Belas Artes. Lá, ele tem contato com os movimentos impressionismo e pós-impressionismo e passa a aplicá-los em suas obras.

Um exemplo delas é o quadro “Sem pai”, com traços impressionistas, porém, com uma aparência bem mais obscura e dramática. O artista começaria a revelar sua tendência inovadora e identidade única.

Eventos que mudaram sua vida

Como dito acima, o pintor ampliou seus conhecimentos relacionados ao impressionismo e pouco tempo depois fez uma viagem até o Brasil, onde moravam alguns de seus irmãos. Logo quando chegou foi bem recebido e pôde fazer exposições nas cidades de São Paulo e Campinas em 1913. Os quadros dele eram inéditos no país, que nunca havia recebido um artista com as tendências dele.

No entanto, não seria ainda nessa oportunidade que as as cores brasileiras inspirariam sua pintura, mas com certeza o lugar ficou em sua mente. Futuramente o país iria ser o lar de Lasar Segall e fonte de grande parte de suas temáticas.

Quando voltou para a Europa ele conheceu a atriz Margarete Quack, com quem futuramente iria se casar. Só que, antes disso, precisou ficar em uma espécie de prisão domiciliar graças aos conflitos da Segunda Guerra Mundial. Por ele ter cidadania russa, o Governo Alemão não confiou que ele não se envolveria nessas questões e tomou essas medidas preventivas.

O conflito promoveu um período muito difícil e muitas tragédias para a vida de Segall. Nele, vários de seus amigos morreram, houve tempos de racionamento, falta até mesmo de materiais para prosseguir seu trabalho. Além disso, a cidade de Vilna, onde ele nasceu e onde seus familiares viviam, ficou em ruínas.

Todos esses fatores contribuíram de forma bastante intensa na sua arte de forma que toda a linguagem do artista mudou. Em 1916, Segall expôs trabalhos que fez após dizer que iria deixar as emoções ditar as formas e distorcê-las, se referindo a telas que fez sobre a violência ao povo judeu.

Expressionismo, impressionismo e modernismo

Em meio a situação que a Alemanha se encontrava, os artistas então passaram a buscar formas de criar que estivessem mais alinhadas a realidade alemã. Foi assim que Lasar Segall descobriu sobre o expressionismo e passou a aplicá-lo em suas telas.

Nesse cenário, ele começou a ganhar reconhecimento maior sobre seu trabalho. Suas obras estavam sendo vendidas para colecionadores, expostas em museus, em exposições importantes e algumas sendo divulgadas em revistas sobre arte expressionista. O movimento, apesar de ter começado com o pé direito, passou a ganhar popularidade.

No entanto, o sucesso não estava sendo suficiente diante da situação econômica da Alemanha de 1925 e Segall decide se mudar para o Brasil. Chegando em São Paulo, foi logo acolhido pelos modernistas que celebraram sua chegada como um progresso para as vanguardas brasileiras.

Lasar Segall

Seu estilo

Após adquirir todas essas referências ditas acima, Lasar Segall absorveu como esponja as estéticas que o Brasil oferecia. Isso porque ele viu nos brasileiros uma realidade semelhante àquela que ele consumava abordar em suas peças sobre o povo judeu. A partir daí, é muito comum ver pessoas negras, mulheres grávidas, comunidades e todos os tipos de cenários onde se encontrava a minoria brasileira.

Sua estética também ganhou nova forma, passando a representar paisagens em espaços abertos, com cores mais claras, luminosas e diversas. Além disso, passou a revelar um interesse por iluminação e temáticas tropicais.

Daí em diante ele mudou sua paleta várias vezes, além de fazer esculturas e gravuras com mais frequência. No Brasil também foi responsável por criar figurinos de balés, decoração de ambientes e até design de móveis. Por fim, a única coisa que tende a ficar a mesma na sua arte é a tendência de representar pessoas marginalizadas.

Museu Lasar Segall

Depois de sua morte no dia 2 de agosto de 1957, várias de suas obras foram resgatadas e documentadas pela sua viúva. Isso porque Jenny Klabin Segall tinha a intenção de fazer exposições póstumas de Segall por toda a Europa.

Após conseguir reintroduzir o nome do marido no imaginário artístico internacional, ela veio a falecer em 1967. Logo após, o Museu Lasar Segall foi inaugurado na casa onde costumavam morar, na Rua Berta, 111 – Vila Mariana, São Paulo.

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